À quinta-feira, a aprendizagem também acontece descalça

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Há manhãs na escola que não cabem muito bem dentro de uma sala de aula.
Na nossa turma, 2D, as quintas-feiras no caminho sensorial são um desses momentos. Ali, basta um pouco de terra, alguns pedaços de madeira, pedras, água e muita imaginação para acontecerem coisas extraordinárias.

Numa das últimas manhãs, a nossa cozinha de lama esteve particularmente movimentada. Houve arroz doce, panquecas e muitas outras especialidades que, na imaginação dos pequenos cozinheiros, tinham um aroma capaz de se sentir a léguas de distância.

O mural dos instrumentos também teve bastante trabalho. Panelas, tampas e outros objetos ganharam uma nova vida e transformaram-se em instrumentos musicais. Entre bater, tocar, experimentar e comparar sons, houve quem descobrisse que, afinal, uma cozinha de lama também pode ter a sua própria banda sonora.

Enquanto uns se dedicavam à alta gastronomia, outros entregavam-se a verdadeiros projetos de engenharia. Com os blocos de madeira — materiais de construção extraordinariamente versáteis — construíram, ampliaram e reinventaram pequenos espaços, quase sempre em equipa. Porque, quando a imaginação trabalha em conjunto, uma simples peça de madeira pode transformar-se praticamente em tudo.

E houve ainda quem tirasse os sapatos para se aventurar pelo passeio sensorial. As pedras transformaram-se em montanhas, os diferentes pisos em caminhos de aventura e cada passo descalço trouxe uma nova sensação.

Por ali, não há brinquedos com instruções.
Há materiais, espaço, natureza e liberdade para imaginar. Eles fazem o resto.
Brincam, experimentam, constroem, inventam histórias, negoceiam ideias, ajudam-se uns aos outros e, sobretudo, divertem-se a sério.
É também assim que se aprende.
Ao explorar livremente, as crianças desenvolvem a criatividade, a capacidade de resolver problemas, a autonomia e a comunicação com os outros. Aprendem a partilhar materiais, a negociar ideias, a construir em conjunto e a descobrir diferentes formas de fazer as coisas.
E, muitas vezes, nem dão por isso. Estão simplesmente a brincar.
É bonito vê-los assim: tão envolvidos no que estão a fazer que, por momentos, parece que o mundo lá fora deixa de existir.
Estas quintas-feiras são, por isso, muito mais do que um momento de brincadeira ao ar livre. São oportunidades para experimentar, criar, sentir, imaginar e aprender de uma forma particularmente significativa para crianças desta idade.

E esta é apenas uma das muitas histórias que o caminho sensorial tem para contar. Haverá, certamente, outras quintas-feiras, outras experiências e muitas outras histórias para partilhar.

Prof. Luis Azoia Lopes e alunos 2D